quinta-feira, 22 de maio de 2008

No dia que eu ia sair de casa.

Ia passar uns trinta minutos no banho, mas a água acabou aos dois primeiros . Então fui escolher a roupa, mas percebi que tinha engordado e nada cabia. Então apelei pra pegar uma roupa emprestada no armário da mamãe. Achei um vestido da época que minha avó usava fraldas e terminei usando (depois de mais de uma hora a procura de algo). Fui na prateleira na intenção de usar o pó compacto pra esconder as "falhas", do blush para rosar as bochechas e do gloss pra dar um brilho nos lábios, mas para minha infelicidade, toda a linha de maquiagem estava vencida. Deixei a maquiagem pra lá e fui decidi o sapato pois já estava atrasada, eu sei que odeio salto alto, mas a ocasião exigia, calcei o primeiro que vi pela frente e meu celular tocou e eu, achando que minha carona havia chegado, enfiei tudo na bolsa e comecei a descer as escadas de maneira veloz. Tropecei, sai rolando, fui parar no hospital, fiquei cheia de hematomas e depois, soube que a festa havia sido cancelada para semana seguinte.

E antes de tudo isso minha mãe falou: Não use drogas, não beba, não se prostitua, não tem nenhuma roupa pra você ir, suas maquiagens estão velhas, não use salto, não corra nas escadas,cuidado que a água está cada dia mais rara, nunca se precipite, nem tudo que parece é e não force a barra quando começa dando errado, pois tudo piora, escute o que lhe digo, nem invente sequer de se arrumar para sair.

o que posso tirar de tudo isso? Mãe tem boca de praga.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Parabéns, a nós.

O problema é esse, coisas abstratas estão sendo vendidas. E a preço de banana. Como se algum dia, pudessem ser comercializadas. Que cabeça a nossa! Comprar as pessoas, pior que isso, os sentimentos das mesmas. Racionais? Pensantes? Em beneficio próprio e vêm aprouver suas vontades. Ninguém pensa no bem do outro, não na hora de um problema, ou que chegue a ter você ou o outro como opção, sempre pensará em si, no seu melhor. Conseguimos amar os objetos e usar as pessoas, parabéns para todos nós, seres humanos, por sermos tão insignificantes, igual aos nossos pensamentos.

domingo, 27 de abril de 2008

Diário II

-Minha intuição parece estar me levando a algum caminho, finalmente. Não sei. Aposto que estou me precipitando ao dizer isso e feliz ao mesmo tempo. Mas confesso que já era. Tanto faz. Não há o que fazer mais, foi uma cena de cinema que parece montar um filme a partir de agora. Se essa história vai ter um final feliz, só a vida dirá.

domingo, 20 de abril de 2008

Diário I

-Bem, só estou aqui, porque tenho que falar uma coisa,sem saber se ao menos desci na estação certa. Só sei da minha intuição,ela que me mandou vir. E quer mais? acho que fiz a coisa certa, agora vão existir dois caminhos, ao contrário de antes, que só haveria um, o sem resposta. Sei lá, já fazem alguns dias e não tiro isso da minha cabeça, chego até ficar como uma TV sicronizada em só canal, num único programa. Tá bom,sem mais delongas e arrodeios. Sei que foi como uma hipnose quando o vi. Acho que me precipitei, em achar por um momento que é amor. Deve ser as malditas substâncias químicas causadoras da paixão mais uma vez... OU NÃO! De qualquer maneira vou arriscar...

(continua)

domingo, 6 de abril de 2008

Atuar é uma arte

As pessoas pensam que pra está ali atuando, não exige o menor esforço, exige sim, realmente, mas nem significa nada pra quem pensa nele como um passatempo, uma paixão.
Depois
de vários dias criando, rindo, errando, corrigindo, esforçando-se...Eis que chega o grande dia e lá vai,ultimos retoques pra nada dar errado,arrumar roupas,cenário, aquela agonia toda... Todos se juntam, rezam e desejam muita, mais muita merda! Chega o momento as cortinas se abrem e a luz acende, dá um frio na barriga, a platéia está ansiosa para ver o que se tem a mostrar e é quando você entra em cena, a hora de esquecer quem é você e deixar o espírito do personagem tomar conta. O negócio é diverti-se acima de tudo até quando houver falhas. É pra se achar o máximo mesmo, roubar cena, arrasar, satisfazer a si mesmo. E no final, receber milhares de elogios, aplausos, assobios e porque não piadinhas? Afinal, no teatro vale tudo.

sábado, 29 de março de 2008

Alma feminina


Há homem que diga: ô sexo frágil
Tratando como na pré-história
Pensando de maneira ilusória
Além de não lembrar quão é versátil

Há homem que trate com amarga tolerância
Por não saber como tratar
Tenha um olhar de doce insignificância
Por medo de se apaixonar

Há homem que negue que pensa
Na dona da maternidade e estranhe
E que por pior que seja, sonhe
Com um sorriso de princesa.


Ainda há o que saiba: luxo e delicadeza
Que veja mesmo sem enxergar, sutileza.
E espione o que a nós mulheres pertence
A alma feminina, que nenhum homem vence.

Bárbara Rodrigues

domingo, 23 de março de 2008

A garota dos doces

Todos os dias, naquelas primeiras horas que iluminavam a manhã, o galo daquela pequena cidade cantava e a pequena garota de longos cachos ruivos, transformava seus desejos em doces.
Ela preferia trabalhar em chocolates, aquele aroma de cacau a encantava e ninguém conseguia superá-la ao preparar os doces, ficava como se estivesse hipnotizada.
Rodeava-se de pensamentos doces, assim como o produto que suas mãos manipulavam com enorme prazer, pois o dinheiro que conseguia com a venda, era usado para contribuição em casa.
Porém, por vezes, a fúria daquele momento fazia a pequena garota começar a ser atormentada por sua indignação e de uma maneira quase que mágica, seu chocolate muda violentamente.
Seus sentimentos e sonhos ficavam presos ao chocolate, e quem os ingeria, tinha tais desejos realizados. Então, quando o “encanto” a envolvia, eles ficavam impregnados com uma energia bela e positiva, enquanto os outros, resultado dos momentos de "fúria", acabavam saindo terrivelmente amargos.E a pequena garota acabava comendo-os, já que não vendia os chocolates “mal-sucedidos”, e como sua renda não era das melhores, na verdade, mal dava para pagar a produção dos chocolates.
A amargura tomava conta da moça, com amargura era o único jeito que sabia viver. Pensava na felicidade para todos, só não tinha crendice em sua própria felicidade. Achava que o destino lhe pregava tal condenação. Todos os seus desejos acabavam por se realizar com suas amigas e pessoas as quais vendia seus bombons.
Continuou sendo assim por muito tempo, cada vez mais a amargura tomava conta dela, até que certo dia, as primeiras horas do dia não foram as mesmas, o galo da cidade não cantou, e o mais estranho, a garota não transformou seus desejos em doces como de costume. Ouvia-se apenas o barulho de pequenos passos e um vulto distante. Depois desse dia, ninguém mais viu a pequena garota, a única coisa que foi encontrada foi uma cesta, na porta da sua antiga casa com um bilhete dizendo o seguinte: “Os sonhos são, por definição, amaldiçoados com uma vida breve.”.
Se houvesse sonhos para vender, que sonho comprarias?

Bárbara Rodrigues